Sequência didática em matemática nos anos iniciais

Por que é importante pensar na estrutura da aula?

Existe uma forma muito eficiente de organizar aulas de Matemática nos anos iniciais. E essa sequência didática estruturada já é bastante usada na área. Ela ajuda o professor a focar na aprendizagem do aluno e não apenas na explicação do conteúdo.

Essa ideia aparece nos estudos de Edda Curi, que defende que o aluno precisa participar ativamente da aula (2005). Ele não pode ser apenas um ouvinte, mas precisa pensar, testar e até errar.

Outro nome importante é Lourdes de la Rosa Onuchic, que mostra que a Matemática faz mais sentido quando começa com um problema (1999). Assim, o aluno aprende melhor quando precisa resolver algo.

Nesse artigo, vamos analisar quando uma aula tem uma boa sequência didática e o que podemos fazer para implantar e ajudar nossos alunos!

O que é uma sequência didática em matemática?

Uma sequência didática é uma forma de organizar a aula em etapas e cada etapa tem um objetivo claro. Isso ajuda o professor a conduzir melhor o ensino, e, portanto, ajuda o aluno a entender o conteúdo.

Essa organização evita dois problemas comuns: I) A aula SÓ expositiva; II) aula SÓ com atividades soltas. Na sequência didática tudo tem intenção.

Vejamos quais são os passos para uma boa sequência didática!

1. Situação inicial: começar fazendo o aluno pensar

A aula começa com um problema ou uma pergunta, cujo objetivo é despertar o pensamento. Não é necessariamente o momento de explicar.

Aqui, você pode propor situações simples, por exemplo, “Como dividir objetos” ou “comparar quantidades”. Vai depender do foco da sua aula e do conteúdo que você irá abordar.

2. Investigação: o aluno começa a construir

Agora os alunos irão explorar a situação apresentada. E eles podem usar materiais concretos, podem desenhar ou conversar em dupla.

Eles começam a criar suas próprias estratégias! (SMOLE; DINIZ, 2001).

Então, você observa e escuta as respostas dos alunos e as estratégias que eles utilizaram. Nesse sentido, já fica como termômetro para você, professor, quais são os erros e onde é melhor você voltar, revisar e intervir, se necessário.

É aqui que acontece algo muito importante: o aluno começa a construir o conceito.

3. Sistematização: organizar o que foi aprendido

Depois da exploração, o professor entra com mais intencionalidade. Você já escutou suas respostas, suas estratégias e então você organiza as ideias que surgiram.

Nesse momento que devem aparecer os termos matemáticos.

Por exemplo, estamos tratando de uma aula de comparação de quantidades. Então aqui você trará os termos como mais, menos ou igual. Assim como os números e símbolos, se já quiser inserir.

Esse é o momento de dar nome matemático ao que foi aprendido. Pois, assim, o aluno primeiro entende e não tenta apenas decorar!

4. Aplicação: usar o conhecimento em novas situações

Costumo dizer que a aprendizagem matemática é como ir à academia. De um dia para o outro, não conseguimos levantar 50 quilos logo de cara. É preciso treino consistente!

Na matemática, também é precisa treinar, e muito! Após a sistematização, o aluno aplica o que aprendeu.

O professor pode trazer essa aplicação em atividades ou jogos. Além de que também pode ser um novo problema ou até um pequeno desafio.

É esse momento que ajuda a fixar o conhecimento!

Por que essa estrutura funciona tão bem?

Ela equilibra três coisas importantes: 1. Exploração; 2. Construção e 3. Formalização.

Na exploração, o aluno participa eficazmente da aula. Na construção, ele pensa e testa ideias para chegar ao resultado. E na formalização, ele organiza o que aprendeu. E é esse passo a passo que torna a aprendizagem muito mais significativa! (ONUCHIC, 1999).

Como essa estrutura aparece nos planos do Numera

Todos os planos do Numera seguem essa organização de forma intencional. Foi pensada para facilitar a prática do professor e a aprendizagem do aluno em cada etapa.

Você não precisa montar tudo do zero. Olhando para o tempo que o professor tem para elaborar suas aulas, eu já organizei em cada plano, essa estrutura. Além de economizar seu tempo, traz mais segurança e aprendizado para os alunos.

Além disso, os planos incluem propostas simples de aplicar. Mesmo em salas com diferentes níveis de aprendizagem, conforme orienta a BNCC (BRASIL, 2018). Eles trazem um tópico de “Dicas da aula ao professor”, para que você não fique engessado em apenas uma programação, mas tenha outras opções para suas aulas.

E, claro, tudo foi pensado para funcionar na rotina real da escola. Você pode usar seu tempo de coordenação apenas para construir os materiais de cada aula, e não pensar no passo a passo, já que isto foi disponibilizado para ti!

Aqui no site você já encontra planos de aula gratuitos para você conhecer essa proposta. E também, versões mais completas, com sequências prontas e aprofundadas. (Ainda em criação).

Assim, você pode testar na sua aula. E perceber, na prática, como essa organização faz diferença! A ideia é te ajudar a ensinar com mais clareza e com menos sobrecarga no planejamento.

Concluindo

Organizar a aula com uma sequência didática em matemática torna o ensino mais intencional. Assim, seu aluno participa mais ativamente e deixa de apenas ouvir e passa a construir o conhecimento!

Na prática, essa estrutura facilita o planejamento e melhora a qualidade da aprendizagem. Com essas pequenas mudanças, já é possível perceber resultados em sala.

Conheça os planos da Numera que já seguem esse padrão:

Planos de Aula

Referências (ABNT)

BRASIL. Ministério da Educação.
Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília: MEC, 2018.

CURI, Edda. Formação de professores que ensinam matemática: conhecimentos, crenças e práticas. São Paulo: Editora Unesp, 2005.

ONUCHIC, Lourdes de la Rosa. Ensino de matemática através da resolução de problemas. In: BICUDO, Maria Aparecida Viggiani (org.). Pesquisa em educação matemática: concepções e perspectivas. São Paulo: Editora UNESP, 1999.

SMOLE, Kátia Stocco; DINIZ, Maria Ignez.
Ler, escrever e resolver problemas: habilidades básicas para aprender matemática. Porto Alegre: Artmed, 2001.

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