
Ensinar matemática nos anos iniciais é um dos maiores desafios enfrentados pelos professores pedagogos, especialmente quando a formação inicial não aprofunda os conteúdos.
Para ensinar Matemática nos anos iniciais é necessário mais que domínio de contas: precisa de compreensão dos conceitos, didática e sensibilidade com o aluno.
Aqui eu já te digo: o pedagogo não precisa saber toda Matemática, mas o essencial! E o que seria?
Saber Matemática × Saber ensinar Matemática
Saber Matemática significa dominar conceitos, procedimentos e relações internas da área, como defendem Fiorentini e Lorenzato1.
Já saber ensinar Matemática envolve compreender como o aluno constrói conceitos, erra, argumenta e atribui significado aos números.
Assim, o professor pedagogo é convidado a fazer essa articulação entre os dois pontos, pois, sem isso, o ensino vira apenas uma repetição mecânica.
Acredito que é o que tem faltado nos professores atualmente, pois, com minha experiência, a maior parte dos alunos chega ao Ensino Médio com dificuldade em multiplicação.
O papel do pedagogo nos anos iniciais
Nos anos iniciais, o pedagogo é mediador do pensamento matemático em formação, não apenas transmissor de fórmulas.
De acordo com Pimenta, Pedroso e Pinto2, o professor deve ter “o domínio das diferentes áreas do conhecimento”, pois, com esse conhecimento, conseguirá ajudar o aluno no seu processo.
Além disso, o Currículo em Movimento3 ainda traz pontos necessários para o educador nesse processo de ensino-aprendizagem na área de matemática, sendo dois deles:
- desenvolver uma prática que oportunize o gosto pela aprendizagem da Matemática;
- perceber-se como parte de uma cultura e de um mundo em constante transformação, o que demanda um processo contínuo de formação.
Assim, ao conhecer o conceito, o pedagogo consegue compreender o processo e construir a matemática com o aluno, não apenas focar na “resposta certa”.
O que é essencial para ensinar matemática nos anos iniciais com segurança?
É necessário que o professor não foque na quantidade de conteúdos, e sim na profundidade dos conceitos que serão trabalhados.
A BNCC4 destaca cinco unidades temáticas: Números, Álgebra, Geometria, Grandezas e Medidas, Probabilidade e Estatística.
Em Números, o pedagogo precisa dominar o sistema de numeração decimal e seus significados. Compreender valor posicional evita explicações rasas sobre “vai um” ou “pegar emprestado”.
Na Álgebra, o professor deve estimular o pensamento criativo para observar padrões e, assim, compreender modelos matemáticos.
A Geometria pede que os alunos consigam imaginar as formas e figuras, e essa é uma das maiores dificuldades. Por isso, faz-se necessário o uso de recursos como papél, smartphone, projetor, etc, para maior visualização.
Em Grandezas e Medidas, é essencial trabalhar a interdisciplinaridade, já que aborda conceitos vistos também em Ciências e Geografia, por exemplo, mostrando ao aluno que a matemática está presente no dia a dia.
E, por fim, em Probabilidade e Estatística, a BNCC4 resume bem: o aluno deve “desenvolver habilidades para coletar, organizar, representar, interpretar e analisar dados”.
O professor deve se aprofundar em cada um desses temas para que os alunos desenvolvam o pensamento matemático.
Por que ensinar matemática nos anos iniciais exige base conceitual?
Decorar regras em si, não é um grande problema. Mas o fato de saber a fórmula mas não saber explicar, adaptar os transferir o conhecimento.
Sem esse entendimento, o aluno só produz respostas rápidas, mas não constrói compreensão duradoura nem autonomia intelectual.
Isso gera dificuldades acumuladas, especialmente na transição para conteúdos mais abstratos. E é por isso que reclamam tanto de letra na matemática, por exemplo.
Erros conceituais fazem parte do aprendizado matemático
O erro é fonte de investigação e aprendizagem, não falha a ser punida, como afirma Nogaro e Granella5.
Assim, o pedagogo precisa interpretar erros para compreender o raciocínio do aluno. Justamente por isso, a aplicação de fórmulas sem o conceito não faz sentido.
Essa postura exige conhecimento matemático conceitual e olhar pedagógico atento.
Dessa forma, mais importante que avançar conteúdos é consolidar fundamentos matemáticos bem compreendidos.
Por isso, o pedagogo precisa saber justificar procedimentos, usar diferentes representações e propor boas situações-problema.
Conclusão
O bom ensino de Matemática nasce do encontro entre conhecimento conceitual, didática consciente e respeito ao desenvolvimento infantil.
Esse é o tipo de Matemática que o pedagogo realmente precisa dominar!
A partir daqui, vamos dar o próximo passo: estudaremos o eixo de Números, da BNCC.
No próximo artigo, você verá como desenvolver sentido numérico, valor posicional e operações. Além de acompanhar um material para você estudar e outro para você aplicar em sala de aula!
Referências
- FIORENTINI, D.; LORENZATO, S. Investigação em educação matemática desde a perspectiva acadêmica e profissional: desafios e possibilidades de aproximação. Autores Associados, 2006. ↩︎
- PIMENTA, Selma Garrido; PEDROSO, Cristina Cinto Araujo; PINTO, Umberto de
Andrade. A Formação de Professores para os Anos Iniciais da Educação Básica:
análise dos currículos dos cursos de Pedagogia nas instituições de ensino superior
do Estado de São Paulo. In: II CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE
FORMAÇÃO DE PROFESSORES E XII CONGRESSO ESTADUAL PAULISTA
SOBRE FORMAÇÃO DE EDUCADORES, 2014, Águas de Lindóia, São Paulo:
EDUNESP, 2014, v.1, p. 1639-1651. ↩︎ - DISTRITO FEDERAL. Currículo em Movimento do Distrito Federal – Educação
Fundamental: Anos Iniciais – Anos Finais. Secretaria de Estado de Educação do
Distrito Federal, Disponível em: https://www.educacao.df.gov.br/wp-conteudo/uploads/2018/02/Curriculo-em-Movimento-Ens-Fundamental_17dez18.pdf. ↩︎ - BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Ministério da Educação, 2018. ↩︎
- NOGARO, Arnaldo; GRANELLA, Eliane. O erro no processo de ensino e aprendizagem. Trabalho acadêmico na área da Educação, Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Campus de Erechim, [s.d.]. ↩︎